Em muitos casos, sim, mas nunca é uma decisão só do dentista. Quem faz ou fez tratamento contra o câncer precisa que o implante seja planejado junto com o médico que cuida do caso. De modo geral, cirurgias planejadas ficam para depois da quimioterapia. Radioterapia na cabeça e no pescoço pede um cuidado ainda maior.
Este texto explica os motivos e o que costuma ser avaliado. Ele não substitui a conversa entre você, seu médico e seu dentista.
Por que a quimioterapia exige esperar?
A quimioterapia age sobre células que se multiplicam rápido. Isso inclui as do câncer, mas também as do sangue e as da boca. Durante o tratamento, é comum ter:
- queda nas células de defesa, o que aumenta o risco de infecção;
- queda nas plaquetas, o que aumenta o sangramento;
- feridas e sensibilidade na boca;
- cicatrização mais lenta.
Por isso, implantes e outras cirurgias que podem esperar costumam ser adiados. Terminado o tratamento, e com os exames de sangue recuperados, o implante pode ser avaliado. O oncologista diz quando o corpo está pronto.
Por que a radioterapia na cabeça e no pescoço é diferente?
A radiação atinge não só o tumor, mas também o osso e a gengiva da região. O osso irradiado recebe menos sangue e perde parte da capacidade de se recuperar. Isso vale por muitos anos, às vezes para a vida toda.
A complicação mais temida é a osteorradionecrose: uma área do osso que não cicatriza depois de uma extração ou cirurgia e fica exposta ou infeccionada. Por isso:
- extrações e implantes na área irradiada exigem planejamento especial;
- a dose de radiação que aquela região recebeu é uma informação importante;
- em alguns casos, cuidados extras são definidos junto com a equipe de oncologia;
- em outros, a opção mais segura pode ser uma prótese sem cirurgia.
A radioterapia também costuma deixar a boca seca, o que aumenta cáries e dificulta o uso de dentaduras. Veja o que a boca seca tem a ver com gengiva e dentadura.
O que é avaliado antes de indicar o implante?
| O que se avalia | Por quê |
|---|---|
| Tipo de tratamento feito (quimio, rádio ou ambos) | Cada um afeta o osso de forma diferente |
| Região e dose da radioterapia | Define o risco no osso da boca |
| Tempo desde o fim do tratamento | O corpo precisa se recuperar |
| Exames de sangue | Mostram defesa e coagulação |
| Remédios para os ossos, principalmente na veia | Podem aumentar o risco no osso da boca |
| Saúde da gengiva | Gengiva inflamada aumenta o risco de falha |
Sobre os remédios para os ossos, veja também o que muda para quem toma remédio para osteoporose.
E antes de começar o tratamento do câncer?
Esse é o momento mais importante para o dentista participar. Antes da quimioterapia ou da radioterapia, o ideal é:
- tratar cáries e infecções;
- tirar dentes sem salvação, com tempo para cicatrizar antes da radiação;
- fazer limpeza e tratar a gengiva;
- aprender a cuidar da boca durante o tratamento.
Isso reduz o risco de ter que fazer uma extração depois, em osso já irradiado.
Quem já tem implante e vai tratar o câncer?
Conte à equipe médica e ao dentista. Na maioria das vezes, os implantes são mantidos, com higiene reforçada e revisões mais próximas. A decisão depende da região tratada e do estado da gengiva em volta. Conheça os riscos reais do implante e como evitar.
Onde fazer em Teresina?
A Lucas Queiroz Odontologia (Av. Alzira Pedrosa, 647, Noivos) avalia pacientes que fizeram ou vão fazer tratamento oncológico, sempre em conversa com o médico responsável. O atendimento é do Dr. Lucas Araujo Queiroz, CRO-PI 1951, periodontista e implantodontista.
Quando procurar o dentista?
Procure o dentista se você:
- vai começar quimioterapia ou radioterapia;
- está em tratamento e tem dor, ferida ou inchaço na boca;
- fez radioterapia e precisa tirar um dente;
- sente a boca seca e percebe cáries novas;
- tem implante e nota gengiva sangrando ou inchada.
Em resumo
- Implante depois de câncer é possível em muitos casos, decidido com o médico.
- Durante a quimioterapia, cirurgias planejadas costumam ser adiadas.
- Radioterapia na cabeça e no pescoço exige cuidado maior com o osso.
- Ir ao dentista antes do tratamento do câncer reduz complicações.
- Informe todos os remédios, principalmente os aplicados na veia para os ossos.
Perguntas frequentes
Preciso ir ao dentista antes de começar o tratamento do câncer?
Sim, sempre que possível. Tratar cáries, infecções e dentes sem salvação antes da quimioterapia ou da radioterapia reduz o risco de complicações na boca durante e depois do tratamento. Muitos médicos pedem essa avaliação.
Quanto tempo depois da quimioterapia posso fazer implante?
Não existe um prazo único. Em geral, espera-se o fim do tratamento e a recuperação da imunidade e das células do sangue, confirmadas por exames. O médico oncologista e o dentista definem juntos o momento.
O que é osteorradionecrose?
É quando uma parte do osso da mandíbula ou da maxila, que recebeu radiação, perde a capacidade de se recuperar e fica exposta ou infeccionada. É uma complicação séria, e por isso cirurgias no osso irradiado exigem planejamento cuidadoso.
Quem já tem implante e vai fazer radioterapia precisa tirar?
Nem sempre. O dentista e a equipe de radioterapia avaliam cada caso. Muitas vezes os implantes são mantidos, com cuidados extras de higiene e acompanhamento. Avise a equipe médica que você tem implantes.
Remédio para os ossos usado no câncer atrapalha o implante?
Alguns remédios aplicados na veia para proteger os ossos, usados em certos tipos de câncer, aumentam o risco de problemas no osso da boca após cirurgias. Por isso o dentista precisa saber de todos os remédios que você usa ou já usou.
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